dezembro 18, 2008

E enquanto as pessoas começam as preparações de natal e as preocupações e a correria e tudo que envolve a segunda metade do mês de dezembro, eu fico aqui parado. Não sinto vontade nem de mexer os dedos, o que torna esse texto cansativo. Nem os olhos consigo abrir completamente. Meu cérebro e o resto de meu corpo estão cansados e implorando por um descanso maior que o descanso de um fim de semana.

O cabelo tá começando a crescer mas só de pensar em corta-lo me dá vontade de dormir. A barba está tão grande que eu seria barrado em um aeroporto, se entrasse em um. Minha única vontade, de verdade, a única motivação, é abrir o Windows Media Player e ouvir música. E pegar o violão e praticar e tocar uma coisa ou outra e cantar baixinho, pra ninguém ouvir, só eu. Eu e o violão, só interrompidos pelo barulho dos fogos de artifício gastos com o que poderia ser gasto com algo melhor.

Eu não queria ser o chatão, o estraga prazeres, o anti-social, mas não dá pra manter o humor em uma época em que a vida torna-se ainda mais falsa do que realmente é. As pessoas mostram ainda mais o que não são e os abraços significam ainda mais o desejo de um soco na cara.

Mulheres

dezembro 15, 2008

Tô passando por uma fase estranha. Na verdade estou nessa “fase” já há algum tempo. A questão é que mulher nenhuma me interessa.

Calma, eu não virei gay. Continuo gostando das mulheres, continuo encontrando mulheres lindas pela rua e na noite e gosto de vê-las. O problema é que para por aí. Toda mulher que encontro e converso e tento iniciar algo me desagrada. Não me interesso por 99% das mulheres que acabo conhecendo. Sempre acabo exaltando os defeitos e as poucas qualidades, deixo de lado.

Dia desses meus amigos e eu estávamos indo pra uma balada qualquer e no caminho falando sobre as mulheres que encontraríamos lá. Alguém soltou algo como – Espero que tenha alguma menina bonitinha, por lá. – E eu fiz um comentário do tipo – Espero que tenha alguma inteligente. – E acabou que todos riram, como se eu tivesse sido irônico. Tá, tudo bem, não tem problema pegar uma burrinha, porém gostosa, na balada, só pra dar uma contabilizada, mas é que eu não tô conseguindo mais ter esse prazer da contabilidade. Apesar de não estar caçando feito um maluco, as mulheres que encontro não me encantam. Nem o mínimo suficiente pra eu querer pegar e ir embora.

Até que fico contente por estar selecionando cada vez mais e a peneira estar cada vez mais fina, mas talvez a mulher que idealizo nem exista e o real significado disso tudo é que vou ficar um bom tempo sem pegar ninguém. E o pior: não vejo problemas.

Não me encarcere!

dezembro 13, 2008

Os comentários sobre o show da Mallu Magalhães que fiz no post anterior geraram bastante impacto. Agradeço às Malluzinhas, pois graças a elas recebi um link nos melhores blogs do dia no WordPress e um link nos principais assuntos do dia no blog do Téo Costa. Obrigado!

Só gostaria de deixar claro que o que foi exposto ali foi uma opinião pessoal. Não foi um trabalho jornalístico. Eu não sou jornalista. Quando afirmei isso lá foi irônia. Vocês não detectaram, mas tudo bem.

Eu só sou um fã de música. Música de qualidade.

Fui ao show para ver o que achava, o que achei postei ali. Nada mais que isso. Continuo tendo as mesmas opiniões que no post anterior e estou quase me sentindo na obrigação de pedir desculpas por criticar. Parece que a humanidade ainda não se acostumou às críticas. Dizer que um show de um artista que os outros adoram foi uma bosta seria como matar alguém. Eu me senti oprimido como um assassino.

Só espero que todos vocês, fãs de Mallu Magalhães cresçam e percebam que nem só de elogios se faz uma vida. E que críticas de alguma forma sempre constroem algo. Aprendam que o que vocês gostam pode não ser – e não é – o que eu gosto. Aprendam que as opiniões entre as pessoas convergem e que todos – inclusive os intocáveis artistas – são alvo de críticas.

Obrigado aos que me apoiaram e aos que criticaram o meu post, construtivamente.

Ah! E se querem saber o que eu considero música de qualidade, ouçam o novo namorado dela.

Segue a vida do blog.

Mallu

dezembro 12, 2008

Ontem, como havia já comentado, fui ao show da Mallu Magalhães.
Ao chegar no Studio SP, que é uma casa da Rua Augusta muito legal pra shows, já estranhei a decoração. Encheram a casa de placas de patrocínio, várias pessoas de “organização”, tiraram o único sofá da parte de baixo para criarem mais um caixa e o mesanino estava interditado para os “convidados da Mallu”. (Imaginei algo como a galera do inglês e a turma da natação).

Já fui em vários shows lá no Studio SP, mas nunca tinha visto tanta frescura. Esses patrocínios, na minha opinião, só são interessante$ pro artista. Para os fãs vira uma chatice, só.

No flyer avisava que à pedido da produtora da Mallu, o show começaria pontualmente às 23h. Me apressei, cheguei antes, tomei um whisky e uma cerveja, pra descontrair. Era 23h30 e nada de show. Nós aguardamos fazendo um pouco de bagunça, grito de guerra, as Malluzinhas odiaram a gente. Sorte que eu não fui pra pegar ninguém, não conseguiria depois daquilo.

Começou o show e lá estava eu, na primeira fila. Se esticasse a mão encostaria no vestido de Emilia com um pinto desenhado atrás da Mallu. Ela tem agora uma banda, e o guitarrista é engraçado. Tava com uma camisa xadrez por dentro da calça, gritamos – Olha a cobraaaa… – e ele ouviu e gritou também. Legal, vai, pelo menos é bem humorado. O baterista é um puta paloso, cheio de marra, como dizem os cariocas.

O público também é um negócio engraçado. Cheguei e todos estavam sentados e amontoados com taças de vinho, tudo muito gracinha. As meninas são todas Malluzinhas, tão fresquinhas quanto a original. Ah não, talvez mais. E os caras… sei lá. A maioria dos homens que estavam ali, estavam para acompanhar as namoradas. Desconfio da virilidade de homens que estavam ali “só pra assistir”. Menos eu, né. Trabalho jornalístico, gente.

O show da Mallu Magalhães é um dos shows mais sem sal que eu já assisti. Tudo muito básico, muito superficial. Músicas que parecem que nem são dela, de tanto que este estilo já foi sugado. Eu sempre falei mal da Mallu Magalhães, mas quis ir lá e conferir. Agora posso dizer com base no que digo, que ela é ruinzinha, coitada. Ela definitivamente não merece a atenção que está sendo recebida.

Ah, e no fim, ainda sou convidado a dar uma entrevista à PlayTV. Superlegal, falei bem dela. E ainda falei que sou jornalista.

Só um CD do Marcelo Camelo pra salvar o caminho de volta.

Torto

dezembro 11, 2008

Nem toda decepção me diz que eu devo desistir. Assim como nem toda alegria me remete ao pensamento que devo continuar. A única certeza que tenho é que desse barco aqui eu não posso – e não devo – pular. Mais me vale a estabilidade do chão; de ter onde pisar, do que a incerteza do nado. A incerteza do fundo do mar.

Esse é meu erro. Sempre foi e sempre será o grande erro da minha vida.

Nada com nada, com nada.

dezembro 11, 2008

Pode ser que as coisas não estejam tão certas como eu acredito que estão. Pensei nisso hoje.

Acredito que estou tentando me enquadrar um pouco em cada personalidade e acabando em não me enquadrar em nenhuma. Fazendo coisas que odiei e que talvez ainda odeie e talvez deixando um pouco mais de lado as coisas que realmente gosto. Não sei se sou só eu – acho que não – que deixa de fazer muitas coisas que gosta pela repressão. E pelo enquadramento.

Num dia de hoje de sonho eu estaria longe daqui, talvez suplicando, ou talvez não. Com certeza tirando dinheiro que não tenho do banco e da carteira e tomando aquele whisky. Não o que tenho em casa, mas aquele. Estaria na companhia de alguns amigos. Ou algum, no singular. Não posso dizer que estaria feliz. Não sei nem se a felicidade me faria feliz. Essa é uma contradição que ainda não sei explicar. Este idioma aqui não comporta essa explicação, ainda.

Num dia de hoje de sonho eu não colocaria a culpa no idioma por falta de habilidade para explicar o que se passa por dentro.

Num dia de hoje de sonho eu nem escreveria nada. Escrever é sinônimo de sofrimento, pra mim. Quando estou contente não escrevo. Orgulho-me de mim ao ver todos estes blogs vazios. Queria eu poder estar fumando um bom cigarro, lá fora. Coisas simples me fariam tão bem, e eu não posso. Ninguém pode o que quer, essa é a realidade que eu, inocente demais, teimo em evitar.

Este é um daqueles posts desabafos, que faço de vez em sempre. Sempre acho que isso me faz melhorar, mas sinceramente não sei. Não sei de nada. Eu odeio nunca saber de absolutamente nada.

Só sei que do jeito que está, está errado. E eu não posso prosseguir assim.

O mais triste é que eu vou, até Deus sabe quando…

Sou, nós.

dezembro 10, 2008

Eu sempre fui fã do Los Hermanos. De ir em show e cantar até os instrumentos, como os próprios fãs costumam dizer. Até que a banda se separou e cada um seguiu seu caminho. O Amarante foi praquela Little Joy e nunca peguei pra ouvir de verdade, apesar de não ter me desagradado totalmente o que já ouvi até hoje.

Minha única trava era quanto ao trabalho solo do Marcelo Camelo. Sempre tive medo de ouvir. Medo mesmo. Medo de odiar tudo e acabar todo aquele encanto que havia da época do Los Hermanos.

Essa semana, depois de muito lugar comigo mesmo, acabei baixando e ouvindo o álbum. Acabei me apaixonando ainda mais.

O disco já começa com aquela “Téo e a Gaivota” que transmite uma paz inexplicável. Uma paz impossível de ser transmitida apenas com uma música. Uma música que seria impossível de acontecer, se não fosse pelas mãos e voz de um completo gênio.

E, pra minha surpresa, o álbum foi sendo desenrolado e surpreendo. Música por música. Fico emocionado ao pensar que o Camelo está fazendo o que realmente gosta. E que isso significa músicas de extrema qualidade. Extrema. Fico tão sem graça de ter passado por um período de pré-conceito dessa fase do Camelo. Fico feliz por ter desatado esses nós e encarado e finalmente confiado no meu maior ídolo vivo da música brasileira.

O que é aquela Copacabana? Dá uma vontade de viver o Rio. Dá vontade de viver o carnaval, logo.

O mais espetacular desse álbum é isso. Ele faz sentir. 90% da produção musical hoje em dia não faz sentir, e ele faz.

A partir de hoje prometo a mim mesmo que nunca mais terei pré-conceitos musicais. Marcelo Camelo provou que isso é uma profunda perda de tempo e de talento.

E pra provar que estou me desvencilhando, amanhã vou à uma apresentação da Mallu Magalhães. Quero ver como ela se comporta com o público e como são as músicas dela ao vivo. E que se foda o que eu mesmo já falei dela. Vamos ver, depois criticaremos ou não.

Rio

dezembro 10, 2008

Sinto Copacabana por perto, é o vento do mar.

Será que a gente chega?

 

Agora que comprei meus ingressos pro show do Radiohead, finalmente poderei conhecer a cidade do Rio de Janeiro. Sempre tive vontade de conhece-la e nunca compactuei com opiniões preconceituosas acerca da cidade maravilhosa. Na verdade sempre acreditei que todo esse ataque à cidade é fruto de inveja.

O Rio de Janeiro é uma cidade completa, tem o povo mais divertido e que melhor sabe viver a vida do Brasil. O povo mais inteligente, também. Cidade dos poetas, da bossa nova e do samba de raíz. Cidade das pessoas que aprenderam a viver com a pobreza, diferentemente do resto do país (não que eu esteja dizendo aqui que pobres deveriam se acostumar com a situação, mas o povo carioca sabe ser feliz enquanto luta).

A natureza convivendo lado a lado com a vida urbana. A cidade do Rio de Janeiro é a única cidade litorânea brasileira que sabe ser cosmopolita.

Adoro o estilo de vida do carioca e se pudesse passaria metade de meus anos lá e metade cá (pois mesmo sendo como é, eu nunca abandonaria minha São Paulo).

Pois é, sou um paulistano que ama platônicamente (ainda)  o Rio de Janeiro.

Sede

dezembro 9, 2008

Tô com sono. E nessa maldita sala que queima eu finjo que trabalho, olho pela janela e avisto um pedaço de sei lá que bairro, lá no fundo. Dá pra ver também um pedaço dos telhados das casas da rua de trás, alguns fios de eletricidade, o topo de um poste e o céu daquele cinza de tarde de verão.

Nesse escritório trabalham nesse momento a esposa de um de meus patrões – o que a faz automaticamente minha patroa – além da irmã de meu patrão e mais uma garota. Essa terceira até que é simpática, gosta de puxar assunto, apesar de falar num tom de voz absurdamente baixo, o que me faz muitas vezes concordar com o que ela diz sem saber o que realmente foi dito.

Eu tenho alguns trabalhos a fazer. Depois que o webdesigner daqui picou a mula ficou sob minha responsabilidade fazer os serviços dele. Eu não sou webdesigner nem nunca fui, odeio esse tipo de trabalho, mas eles não vão contratar ninguém em dezembro, portanto, me fodi. Uma maldita igreja evangélica fez um Chá das Mulheres mês passado e eu ainda não coloquei as fotos das malditas velhas de saias compridas no site. Também tem um site de um babaca que vende tomadas pra fazer. Por que uma porra de uma empresa que vende tomadas precisa de site?

Enfim, não vejo a hora de passar esse fim de ano pra contratarem logo um babaca e eu voltar a minha vida normal, fazendo o que sei fazer e tendo mais tempo ainda pra não fazer nada.

Enquanto isso fico aqui olhando pra janela. E fuçando na internet. No momento tem abertos o site do hotmail (eu fico clicando em caixa de entrada de cinco em cinco minutos pra ver se chegou algo), o e-buddy (disfarce de msn), o orkut, o BBCParaAfrica.com (não me pergunte por quê), esse site aqui e o Google. Também tem dois programas de nerd abertos que é pra abrir caso alguém passe, a caixa de entrada do outlook também pra dar uma disfarçada e o media player. Tá rolando Marcelo Camelo.

Conheci o CD solo do Marcelo Camelo ontem (eu sei que tô atrasado, mas é que sempre tive medo e preguiça de ouvi-lo) e gostei, viu. Aquela música Téo e a Gaivota me conquistou, já ouvi muitas vezes desde ontem. Copacabana é muito legal também, mas não coloquei mais porque minha patroa perguntou se eu já estava em clima de carnaval…

Passou.

dezembro 8, 2008

Hoje, no caminho do trabalho, vim pensando em fazer um post sobre como foi o ano de 2008 pra mim. Já que o clima de fim de ano já dominou à todos, e aquele sentimento de retrospectiva e prospectiva já paira por todos os lugares, decidi não ficar de fora e refletir um pouco sobre como os ultimos 365 dias afetaram minha vida de alguma forma e pesar os pontos positivos e negativos que vão fazer do ano de 2008 memorável, ou não.

Pra começar, esse foi o ano em que saí da casa dos 1x anos. Acho que chegar aos 20 anos é um momento um tanto quanto triste, porque me deu a impressão de que realmente saí da adolescência e as obrigações e responsabilidades passaram a pesar um pouco mais em minhas decisões. Já não posso (apesar de fazê-lo, ainda) tomar iniciativas sem pensar muito nas consequências para mim e para outras pessoas ao meu redor que, pela primeira vez, podem sofrer com alguma má decisão de minha parte.

Posso afirmar, também, que esse ano foi o ano da transformação. Da metamorfose. Se existe um ano divisor de águas na vida de todo mundo, esse foi o meu. Provavelmente poderei dizer, daqui muito tempo, que houve a era Pré-Vinte anos e Pós-Vinte anos na minha vida. Não entendo até agora como uma pessoa pode mudar tanto em tão pouco tempo. E eu realmente mudei.

Foi um ano também de muita instabilidade. Instabilidade emocional, principalmente. Enquanto os meses de Junho e Julho foram os piores do ano, o de agosto foi o melhor. Talvez de alguns anos. E foi, principalmente, a partir de agosto que as mudanças começaram realmente a acontecer. Quem convive comigo sabe que parece um pouco difícil imaginar que eu estaria como estou hoje. Alguns podem até não ter gostado das mudanças, mas sabem que eu estou mais feliz agora. E é isso que importa.

A única coisa que ficou devendo este ano foi o lado profissional. Tranquei a faculdade que achei que era a faculdade dos meus sonhos, fiz um vestibular pra outro curso totalmente diferente e desisti antes de pagar a matrícula, agora estou com outro curso em mente, mas com medo de não ser o que quero pra mim pro resto da vida. Continuo trabalhando no mesmo lugar de sempre, recebi propostas de empregos melhores que foram cobertas pelos meus chefes, mas que não sei se isso foi bom ou ruim. Tenho milhares de planos, projetos, idéias que não saem e podem nunca sair do papel e da mente. Ou seja, um ano profissional conturbadíssimo e desperdiçado, ao meu ver.

Fora isso, acho que não poderia ser melhor. Houveram problemas, mas houveram soluções. Choro seguido de gargalhada. Socos e abraços.

Vejo que esse ano não passou de um resumo de uma vida, com seus altos e baixos. Vitórias e derrotas. Enquanto eu puder levantar de uma queda serei uma pessoa feliz. Feliz como sou hoje, graças principalmente a meus amigos e familiares mais próximos que estão e sempre vão estar ao meu lado, em 2009, 2010, 2030.

Apesar de tudo, desejo que o ano de 2009 sejá como foi o de 2008. Imprevisível.

Desse jeito a vida fica muito melhor.


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